sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O défice de açúcar

Do Brasil, nos séculos XVI e XVII, eram enviados para Portugal uns blocos duros e escuros, chamados pães de açúcar.


Chegados a Lisboa, eram enviados para a Holanda, para serem refinados. Aos holandeses comprávamos, depois, o açúcar refinado para consumo. Portugal tem, desde sempre, um problema com o açúcar. Faz parte do seu dia-a-dia. Nesse aspecto assemelha-se à dívida externa. O pão de açúcar é a versão deliciosa do pão do défice. Hoje tanto temos défice de açúcar como de dinheiro. Não mudámos muito nestes últimos séculos. Pedíamos aos outros para nos refinarem o açúcar que produzíamos nas colónias e consumíamos com requinte. Depois pedíamos dinheiro ao Barings e ao Rothschild para que pudéssemos pagar aos holandeses a nossa gulodice. Pedimos sempre para gastar e não para produzir. A digressão mundial de Teixeira dos Santos em busca de quem compre a nossa dívida parece a de um grupo rock. Não damos espectáculo. Estendemos a mão. E já não temos açúcar para oferecer. A dúvida soberana tornou-se o nosso açúcar por refinar. Paga-se com juros. A gulodice sai-nos cara mas continuamos sem aprender. O dinheiro pede-se, não para criar riqueza, mas para gastar nas nossas pequenas extravagâncias. Teixeira dos Santos deixou de ser ministro das Finanças: transformou-se no nosso caixeiro-viajante de estimação. Tudo isto é triste, e nem sequer é Fado: ao olharmos para a China e para o Brasil como os possíveis garantes da nossa dívida soberana, apenas mostramos que se a UE não acredita em nós, nós também já não esperamos grande coisa dela. Com ou sem pães de açúcar.

PS: Artigo de opinião do senhor Fernando Sobral.
PS: Estranho esta conversa sobre o açúcar e a falta dele , mas em parte tem algum sentido, esperem esta é a época natalícia 

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